O caçador que enganou o Curupira
Numa dessas matas grandes e bonitas do Brasil sem fim, vivia um hábil caçador, que amava mais a caça que os bichos. Ele saía de manhã cedinho, quando o dia começava cinzento e parecia frio, e ia caçar. [...]
Certo dia, pareceu-lhe que o mato estava diferente. [...] O caçador olhou, olhou e nada viu. Então, seguiu seu destino. Abateu muitos bichos e, exausto, lá pelo meio-dia, deitou-se à sombra de uma enorme Sapopemba. Dormiu.
Acordou sobressaltado, achando que tinha alguém olhando para ele. E tinha! Um anão caolho, de cabelo vermelho, peludo, com os pés virados para trás e dentes verdes arreganhados, sorrindo para ele. O malvado caçador tremeu de medo da cabeça aos pés: o CURUPIRA!
Trecho de Januária Cristina Alves, O Curupira e outros seres fantásticos do folclore brasileiro, FTD, 2017, p. 7. As reticências entre colchetes representam partes omitidas no próprio livro.